Quantas vezes antes de sair de casa
você trocou de roupa?
Claro, que pra muitos isso pode parecer besteira, mas já parou pra pensar: como que a nossa vontade (até mesmo) de se vestir está diretamente atrelada ao medo? Eu, por exemplo, já troquei de roupa diversas vezes por estar sozinha na rua. Com medo. Sim,
a palavra que melhor define isso tudo é MEDO.
O assédio sexual é algo cada vez mais comum nas ruas. Denominado com um assédio “bobo”, por grande parte da população (principalmente homens), afinal, o “fiu-fiu”, pra eles, faz parte da conquista. Posso citar também o assédio velado, como: aquele olhar maldoso, a “esbarrada de mão”, entre tantas situações descabidas.
É interessante falar sobre isso, porque nós mulheres sempre fomos ensinadas (na maioria das vezes) a nos comportar como “mocinhas”. Sentar de pernas fechadas, falar baixo e em poucas hipóteses ousar a ter um comportamento “fora do padrão”, afinal de contas, ser uma “mulher direita” é o que importa pra sociedade e suas opiniões.
O trecho acima parece um relato dos anos 50/60 e por aí vai, né? Mas não é!
Ainda existem aqueles que criam suas filhas pra terem “o selo de aprovação da sociedade”
(obviamente machista). E aí, nesse exato momento, você deve estar se questionando “Ok, Paula. Você não me disse nada de novo... E o que a roupa que você usa tem a ver com isso?”.
Bom, caro leitor, as roupas tem uma ligação absurda com a aprovação social das mulheres.
Isso, claro, sem levar em conta as diversas formas de assédio que eu mencionei acima.
Imagina o que é você viver no Rio de Janeiro, onde o calor do asfalto “frita um ovo”, e ter que se privar em usar calça jeans, por não ficar a vontade em circular com short. Ou então, ao invés de colocar uma regata cavada, bem fresca, usar uma t-shirt de manga, que no calor te faz transpirar muito, sem nenhum conforto.
Claro que tudo vai muito além da roupa, de um simples pedaço de pano ou de um dia
ensolarado. A questão é mais complexa. O machismo, o assédio e as cantadas baixas são
situações péssimas de se conviver. Entendam que pode parecer um texto exagerado, mas é muito fácil pensar isso quando trocar de roupa pra ir a algum lugar não se torna uma opção, e sim uma necessidade. Se não te julgam pelo veste, ou te cantam por colocar pernas e braços de fora.
Alô, galera! Vamos acordar!
Apesar de o percurso ser longo, precisamos mudar isso. O respeito e o pensamento aberto
fazem parte de uma mudança. Evoluam. Pensem “fora da caixa”. Se coloquem no lugar do
próximo. Principalmente de nós mulheres que estamos expostas todos os dias.
A roupa nesse texto é somente um “acessório” relacionado ao assédio. Ou seja, mesmo se
você estiver usando uma burca, ele acontece. Porém, não podemos desistir. Pensar em dias melhores, com igualdade em todos os sentidos, inclusive em usar uma simples roupa, é algo que precisamos continuar seguindo em busca.
Ser mulher é uma luta diária. E olha que nem estou entrando no mérito hormonal da coisa, ok? Será que olhar pra frente é algo tão distante?!
Chega de fazer parte de uma sociedade que julga o que você é ou deixa de ser por conta de um pedaço de pano. Até porque, se esse pedaço de pano falasse, responderia a vocês todos os julgamentos emitidos da maneira mais baixa possível (sim, nós mulheres falamos palavrão. até os mais pesados).
Acho que já falei muito por hoje...
Calor de 38°C lá fora, o dia está apenas começando...
Mas e aí, com que roupa eu vou?
CHEGA DE FIU FIU
“Nascida em 24 de julho 2013, a "Chega de Fiu Fiu" é uma campanha de combate ao assédio sexual em espaços públicos lançada pelo Think Olga. Inicialmente, foram publicadas ilustrações com mensagens de repúdio a esse tipo de violência. As imagens foram compartilhadas por milhares de pessoas nas redes sociais, gerando uma resposta tão positiva que acabou sendo o início de um grande movimento social contra o assédio em locais públicos.
Mas o que é esse assédio? Todos os dias, mulheres são obrigadas a lidar com comentários de teor obsceno, olhares, intimidações, toques indesejados e importunações de teor sexual afins que se apresentam de várias formas e são entendidas pelo senso comum como elogios, brincadeiras ou características imutáveis da vida em sociedade (o famoso “é assim mesmo…”) quando, na verdade, nada disso é normal ou aceitável.”
• Conheça mais sobre a campanha no site. Nele você pode se informar sobre diversas questões. Inclusive, compartilhar sua história.



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