sábado, 6 de abril de 2019

#DeixaElaTrabalhar

Luta contra assédio dentro
e fora dos estádios

Jornalistas esportivas do Brasil uniram-se para denunciar
agressões psicológicas e físicas sofridas dia-a-dia em seu trabalho


Dia 11 de março de 2018 o estádio Beira-Rio, em Porto Alegre, estava sediando um clássico entre Grêmio e Internacional. A repórter Renata Medeiros, da RádioGaúcha, foi insultada e agredida enquanto realizava a cobertura. Um torcedor do Inter gritou: “Sai daqui, sua puta!”.

Com o intuito de intimidar, começou a filmar de seu telefone celular e pedindo para que o homem repetisse. Insatisfeito, agrediu-a com um soco que lhe proporcionou um hematoma. A jornalista relatou e lamentou o episódio em uma das suas redes sociais:

• Desabafo: 
             Renata de Medeiros                                  

Tweet da repórter Renata de Medeiros desabafando sobre o episódio


• Episódio:
                                                                                                                                   Renata de Medeiros

Vídeo do momento de agressão a repórter Renata de Medeiros

Dois dias depois, no Rio de Janeiro, o canal Esporte Interativo estava realizando a cobertura de uma partida de futebol. São Januário foi palco da disputa entre Vasco e Universidad do Chile pela Libertadores. Antes do jogo começar, a repórter Bruna Dealtry foi beijada à força.



Coagida, sua única reação foi dizer: “Isso não foi legal. Isso não precisava, mas aconteceu.” e continuou a transmissão. A jornalista capturou uma imagem do vídeo no momento exato do beijo e postou junto a um desabafo em seu Instagram

• Desabafo: 


                                                                                                                                        Esporte Interativo

Vídeo do momento de agressão a repórter Bruna Dealtry

• Episódio:

                                                                                                                                                        Bruna Dealtry

Desabafo no Instagram da repórter Renata de Medeiros sobre o episódio


Inacreditavelmente esses dois casos ocorreram apenas uma semana depois do Dia Internacional da Mulher. É sabido que vivemos em uma época em que o assédio feminino predomina fortemente. Mulheres de todas as partes do mundo e das mais diversas profissões ainda sofrem bastante com o machismo.

Conforme o tempo passa, não há diminuição de casos, mas sim um aumento significativo de denúncias. E como ultimamente tornou-se corriqueiro no meio jornalístico, as jornalistas brasileiras, cansadas de todo esse desrespeito, uniram-se decididas a cessar todos esses abusos. Foi criada a campanha: #DeixaElaTrabalhar. As profissionais da área manifestaram-se por vídeos fazendo a seguinte pergunta: “Até quando?” e relatando seus casos de assédio, agressão ou insultos.

A campanha tem como objetivo chamar atenção não só para os ocorridos dentro do estádio, mas sim em redações, na rua, virtualmente ou em qualquer outro lugar público. É válido ressaltar que visa englobar todas as mulheres, não se limita a profissão jornalismo. 

Esse ato serve de pontapé para que todas as mulheres denunciem, não fiquem caladas. Segundo o DataFolha–Instituto de Pesquisas, “Uma parcela de 42% das brasileiras, com 16 anos ou mais, declara já ter sido vítima de assédio sexual.“. Essa porcentagem é alarmante, principalmente pela idade inicial.  


                                                                               Futebol & Mania
Vídeo da campanha: #DeixaElaTrabalhar









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